A Sec. de Saúde de RO pode fazer o Hospital do Câncer “Barretinho” sair de Porto Velho

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Uma situação embaraçosa entre o Hospital de Câncer de Barretos (HCB – unidade de Porto Velho, da Fundação Pio XII) e o Hospital de Base Dr. Ary Pinheiro (HB) se firmou na última semana. Em comunicado enviado à imprensa e diversos órgãos representativos do Estado, a diretoria do HCB afirmou que, mesmo há quatro anos de funcionamento na região, não dispõe de credenciamento junto ao Ministério da Saúde. O hospital atende cerca de 95% dos casos de câncer do Estado de Rondônia e também muitos moradores do município de Humaitá -AM procuram esse hospital para fazerem o tratamento.

De acordo com o diretor-geral do hospital, Henrique Duarte Prata, foi doado ao complexo um acelerador linear, que é utilizado para tratamentos de radioterapia, e que seria instalado junto ao HB. No entanto, por falta de comunicação dessa instalação por parte da Secretaria Estadual de Saúde, um novo centro oncológico foi licitado e será construído no complexo do Hospital de Base.

“Não há a possibilidade de se ter dois centros oncológicos em uma cidade com menos de 1 milhão e meio de habitantes. Então parece que o poder público de Rondônia quer fazer as pessoas viajarem mais de três mil quilômetros para se tratarem em Barretos [São Paulo]”, afirma Prata.

A alegação do diretor se dá pelo motivo, segundo ele, de que as novas instalações do centro oncológico do Hospital de Base só deverá atender à demanda de apenas 20% das pessoas que precisam de tratamento contra o câncer.

“É um absurdo.  Nós batalhamos durante anos para conseguir tratamento para mais de 80% das pessoas que precisam e estão querendo fazer os porto-velhenses e as pessoas do interior terem de viajar a São Paulo para poderem receber tratamento”, diz.

TRÊS ANOS DE ATENDIMENTO NO ESTADO

O Hospital de Câncer de Barretos de Porto Velho abriu as portas em julho de 2012 e conta com serviço ambulatorial, oncologia clínica (quimioterapia) e centro cirúrgico preparado para realizar cirurgias de pequena, média e alta complexidade.

Antes disso, os pacientes que precisavam de atendimento adequado para tratar câncer precisavam viajar até Barretos, em São Paulo, para consegui-lo. Atualmente, na unidade são realizados cerca de 500 procedimentos/dia entre consultas, cirurgias, quimioterapia, exames de laboratório e imagem em um regime assistencial de dedicação exclusiva por parte dos funcionários e equipe médica, priorizando e garantindo a filosofia de humanização que é marca da Fundação Pio XII.

A premissa do hospital, desde a ideia da unidade, era atender pessoas de Rondônia e do Acre, além do norte do Mato Grosso e do sul amazonense. Outra vantagem que a unidade rondoniense do hospital trouxe foi a economia de 90% dos R$ 25 milhões que o governo gastava com tratamentos fora de domicílio. O HCB é mantido com recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) e promoção de eventos e recebe apoio de entidades e personalidades brasileiras e internacionais.

No comunicado divulgado pelo hospital, o diretor-geral escreve que a “decisão está inteiramente” nas mãos do secretário Estadual de Saúde Williames Pimentel, que segundo o texto é “a única pessoa que pode reverter o atual quadro”.

LICITAÇÃO INVIABILIZA 100% DO PROJETO

Ainda segundo o diretor-geral Henrique Duarte Prata, “o projeto [do novo centro oncológico] passou por licitação para ser construído junto ao Hospital de Base, inviabilizando 100% do nosso projeto, pela impossibilidade de existência de dois centros especializados na mesma cidade”. O texto ainda alega que a única forma de impedir que as atividades do HCB não sejam prejudicas é que se transfira a construção do HB para o hospital da Fundação Pio XII.
Segundo Prata, o início das obras para a instalação do acelerador linear no HCB já tinha sido acertada com autoridades do Estado. “Nós ganhamos tudo da iniciativa privada e tínhamos uma aliança tranquila com o governo, já tínhamos garantido o início das obras com o prefeito e o governador”, revela. Ele ainda afirma que ter tratamentos adequados aos pacientes na capital rondoniense é uma questão de dignidade para com os cidadãos do Estado, sem precisar fazê-los viajar longas distâncias até um hospital especializado.

No texto de Prata, ele ressalta que o povo de Rondônia sempre foi muito solidário com a causa do HCB e apoia e abençoa as iniciativas do centro “sem medir esforços para a construção desse serviço tão importante no Estado e [que] merece o que existe de melhor em saúde”. Ele ainda destaca que o pessoal da Fundação Pio XII tem o conhecimento necessário e “o apoio da comunidade e da iniciativa privada”, para continuar com o tratamento adequado à população.

SEGUNDA DOENÇA QUE MAIS MATA NO PAÍS

O câncer é a segunda principal causa de mortes no Brasil, perdendo apenas para as doenças cardiovasculares. Em Rondônia, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), as principais causas de óbito por câncer nos anos de 2012 e 2013 no Estado são, respectivamente, de brônquios/pulmão (12,4%), os quais podem estar relacionados com o fumo, estômago (9,7%) e o de próstata (9,1%). O câncer de mama em Rondônia fica na quinta colocação entre as dez principais causas de óbito no Estado. Já se tratando dos cânceres mais frequentes, estão presentes o câncer de próstata (14,3%), o dos brônquios/pulmão (12,5%) e o do estômago (10,5%), para o sexo masculino. Para o sexo feminino os de brônquios/pulmão (11,4%), o de mama (10,5%) e o colo uterino (7,9%).

Fonte: DIÁRIO DA AMAZÔNIA

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Autor: Direto da Redação
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