CARTA ABERTA “SÚPLICA POR JUSTIÇA” SOBRE O CASO TENHARIN

O Portal Barrancas,  recebeu  um pedido para publicar uma carta aberta,  escrita e de  inteiramente de responsabilidade  da Sra. Célia  Lucia dos Santos Leal  viúva do Sr. Aldeney  Ribeiro Salvador  uma das três vítimas assassinadas  na BR230,  os acusados são  cinco Índios da etnia Tenharim.

 Humaitá, 20 de novembro de 2014.

 SÚPLICA POR JUSTIÇA

Hoje é um dia muito importante! Lembramo-nos dos Povos Afrodescendentes e de sua luta pela justiça, reconhecimento dos seus direitos e respeito pelas suas origens, da Consciência Negra. Mas também, é uma data que me atinge profundamente porque tenho uma luta, de sofrimento, de dor, de perca.
Minha luta não se assemelha a destes povos que durante séculos foram perseguidos, escravizados, humilhados e inferiorizados. Minha luta também é de sofrimento e dor do meu amor, um homem negro, chamado Aldeney Ribeiro Salvador foi assassinado. Minha luta é por justiça, pelo reconhecimento de que não importa as origens de uma pessoa, seu direito a vida é intocável. Por isto, estou suplicando novamente pela justiça.
Há aproximadamente dia 10 de janeiro de 2014, expus meu desabafo a respeito do desaparecimento de meu esposo em que expressei minhas inquietações e desespero por não ter, até aquele momento, nenhuma resposta das autoridades responsáveis pela investigação do que poderia ter acontecido com meu amor.
E perguntei naquele momento: Onde estão nossos esposos? O que estão passando? Como explicaremos a nossos filhos o desaparecimento de seus pais? Quem são realmente os culpados? Será que realmente se fará justiça? Será que se todos cumprissem seu papel estaríamos passando por isto?
Hoje tenho algumas repostas manchadas pelo sangue destas vítimas: Meu amor  Aldeney estava trafegando na BR230, quando foi capturado e, foi cruelmente assassinado em terras indígenas. Não posso supor, e me recuso a imaginar o sofrimento que enfrentaram ao perceberem que seriam assassinados. Mas peço a Deus que tenha misericórdia de suas almas.
Os (as) filhos (as) choram de saudades, os pais, cunhados (as), primos(as), tios(as) e demais parentes sofrem com a dor da perca, com a certeza de que jamais irão vê-los novamente, e ainda com a morosidade da justiça.
Já temos os possíveis culpados, cinco homens da etnia Tenharin que, supostamente, é como se pode dizer foram os responsáveis por este triplo homicídio hediondo. As investigações constataram que,  tanto meu amor Aldeney, como senhor Luciano e o professor Esteff, terem sido torturados, mortos a pauladas e a tiros, pendurados de cabeça para baixo, com mel pelo corpo para que as abelhas os devorassem, tendo inclusive seus membros geniais decepados. E enterradas em um único buraco em meio a aldeia Taboca Tenharin,  assim consta no inquérito.
Hoje expresso minha tristeza por não ver, materializada em ações concretas a justiça, por estes homens, que estavam indo trabalhar, para dar sustento a suas famílias. Vamos esperar mais quanto tempo para que a justiça seja feita? Pela condenação dos culpados!
Justiça é uma palavra que tem o poder de nos assombrar, revoltar, inquietar, e de plantar a descrença nas leis dos homens. Porque não a percebemos na prática. Sabemos que os responsáveis pelo triplo homicídio se encontram presos mais possuem regalias para participar de atividades culturais de sua etnia. É claro! Alguns irão dizer, temos induto de natal, dia dos pais e das mães e porque não temos o induto para participar de ritual. Afinal, os indígenas possuem direitos que os demais brasileiros não possuem. Mas isto tudo lhes dá o poder de cometer todas as atrocidades e participarem da vida tribal.

Será que não irão aproveitar para fugirem e desaparecem em suas terras? Esta decisão publicada no G1 dia 05/11/14 de que os responsáveis iram ser  liberados sob escolta para participar de ritual é uma ofensa para as famílias ainda enlutadas. E quem vai lutar pelas famílias, pelos sonhos que foram interrompidos?
Esperei muito por um homem que me amasse e respeitasse, que desejasse construir uma família comigo e Deus me envio o ALDENEY, estávamos de viagem marcada, passagens compradas para oficializar nosso casamento e comemorar com nossas famílias. Mas, infelizmente, meu querido amor foi morto, não pude me despedir e dizer-lhe do meu amor. Ele foi embora e não voltará mais.
Mas não me conformo, por isto estou aqui, novamente, suplicando pela justiça, justiça, justiça.

E enquanto vida eu tiver não esmorecerei por que creio nas palavras do meu Deus, pois quem busca a justiça e bondade encontrará vida, justiça e gloria (Pv21,21).

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Célia Leal

Autor: Direto da Redação
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