Açúcar não é a causa do diabetes: conheça 5 mitos sobre a doença

A prevalência do diabetes tem aumentado em todo o mundo. De acordo com a Associação Americana de Diabetes (ADA), cerca de 10% da população dos Estados Unidos convive com esta doença.

No Brasil a situação não é muito diferente. Dados da Federação Internacional de Diabetes, mostram que 14,3 milhões de brasileiros sofriam com o diabetes em 2015 e estima-se que esse número possa chegar a 23,3 milhões em 2040.

Os diabetes tipo 1 e tipo 2 são os mais conhecidos. O tipo 1 é menos prevalente e caracteriza-se pela destruição das células beta do pâncreas, que são responsáveis pela produção de insulina. Esse hormônio tem um papel vital e capta a glicose circulante no sangue e insere dentro das células.

O diabetes tipo 1 é considerada uma doença autoimune, ou seja, o próprio organismo identifica as células beta pancreáticas como invasoras e ataca-as. Dessa forma, quanto mais a doença avança, menos insulina é produzida, e consequentemente os níveis da glicemia no sangue elevam-se cada vez mais com risco de entrar em coma. Por esse motivo, pessoas com diabetes tipo 1 (também chamado de insulinodependente) devem fazer uso de insulina.

Já o diabetes tipo 2 é mais comum na população. Não é necessariamente caracterizado pela falta de insulina, mas pela resistência das células do corpo ao efeito da insulina. Muita insulina circula no organismo, mas ela não consegue levar a glicose para o interior das células.

Estar bem informado é importantíssimo para prevenir e saber lidar com essa doença. No entanto, existem muitos mitos sobre o diabetes, principalmente o tipo 2, que são disseminados por aí. Eu gostaria de esclarecer alguns deles. Portanto, abaixo você pode conhecer 5 mitos sobre diabetes e dicas para aprender a lidar com esse problema de saúde.

Mito 1: O açúcar é a causa do diabetes

Este é um dos mitos sobre diabetes. Realmente, consumir um excesso de açúcar pode complicar o controle do diabetes, mas o açúcar sozinho não causa esta doença. Os principais fatores de risco para o diabetes tipo 2 incluem excesso de peso ou obesidade, sedentarismo, o hábito de fumar e ter uma alimentação pobre em nutrientes.

Dica: limitar o consumo de alimentos com alto teor de açúcares é uma boa opção para ter uma alimentação saudável.

Uma alimentação saudável não é somente evitar o açúcar como tem sido bastante divulgado. A culpa não é somente do açúcar de mesa. Também é importante limitar as bebidas doces, ou com adoçantes, e diminuir alimentos processados e ultraprocessados carregados de gorduras e açúcares.

Uma alimentação saudável deve incentivar o consumo de mais alimentos ricos em fibras, castanhas e outras oleaginosas, sementes, grãos integrais, legumes, verduras e frutas, como também praticar atividade física e não fumar.

Mito 2: Eu só preciso me preocupar com a glicemia

Embora o controle da glicemia, ou seja, do açúcar no sangue seja fundamental, não é o único fator importante. O diabetes tipo 2 também pode causar problemas no metabolismo das gorduras, alterando os níveis de colesterol no sangue, a pressão arterial, a inflamação, a função dos vasos sanguíneos, a coagulação do sangue e o sistema imunológico.

Muitos tratamentos com medicamentos para diabetes têm como alvo apenas os níveis de açúcar no sangue, deixando essas outras complicações inalteradas. No entanto, elas precisam de atenção, pois aumentam muito o risco de doenças cardiovasculares, bem como de câncer e infecções.

Dica: foque em adquirir hábitos saudáveis e adira ao tratamento medicamentoso necessário para melhorar sua saúde de uma forma geral e para ter mais qualidade de vida.

Mito 3: devo evitar todos os carboidratos

Este também é um dos mitos sobre diabetes que mais provoca dúvidas. Como os alimentos que contêm carboidratos podem aumentar os níveis de açúcar no sangue mais do que outros alimentos, muitas pessoas com diabetes acreditam que precisam limitar severamente a ingestão de todos os carboidratos. Isso não é necessário. Também, frutas, legumes, vegetais e grãos contêm carboidratos e devem estar presentes na alimentação de pessoas com diabetes.

Dariush Mozaffarian, reitor da Friedman School e editor-chefe da Tufts Health & Nutrition Letter teme que uma tendência crescente para dietas cetogênicas, com um teor muito baixo de carboidratos, esteja levando algumas pessoas a consumir mais carnes processadas e carnes vermelhas. Ele acredita que esse hábito até mesmo ajuda a melhorar o controle do açúcar no sangue a curto prazo, mas pode acabar danificando o pâncreas devido ao excesso de ferro heme proveniente das carnes.

Dica: consumir carboidratos em quantidades adequadas ajudará a controlar o açúcar no sangue, mas não é necessário “cortar” esse nutriente.

Na verdade, a pessoa que convive com o diabetes pode comer de tudo. Nenhum grupo alimentar precisa ser restrito. O que ele necessita é aprender a manejar o problema e para isso é importante que seja muito bem orientado. Saiba mais sobre isso nessa entrevista que realizei com a nutricionista Ticiane Bovi.

Mito 4: Preciso me concentrar em exercícios aeróbicos para perder peso e controlar o açúcar no sangue

Todos os tipos de atividade física são benéficos para o diabetes tipo 2. É importante ressaltar que mesmo sem perda de peso, a atividade física melhora a resistência à insulina, os níveis de glicose no sangue, a obesidade central e a maioria dos outros fatores de risco associados ao diabetes. Portanto, seja ativo pensando na sua saúde, e não no seu peso.

Dica: a Associação Americana de Diabetes recomenda pelo menos 150 minutos de atividade física de intensidade moderada por semana, como caminhada rápida, natação, jardinagem, dança, ciclismo, musculação ou outros esportes. Você pode praticar a atividade por pelo menos três dias na semana, com no máximo dois dias consecutivos sem ela.

Lembre-se! Não se trata de exercitar-se com exagero, mas de manter o corpo ativo através de uma atividade que te proporcione bem-estar e prazer!

Mito 5: O diabetes tipo 2 é incurável

Este é um dos mitos sobre diabetes que tem gerado bastante controvérsias. Embora se diga que o diabetes tipo 2 seja uma doença crônica e alguns especialistas acreditem que não há cura para ele, uma alimentação saudável e a prática de atividade física como parte de um estilo de vida adequado podem melhorar muito os parâmetros metabólicos, reduzir ou eliminar a necessidade de medicamentos e até mesmo levar à normalização completa da glicose no sangue e outras anormalidades fisiológicas observadas no diabetes tipo 2. Isso quando o pâncreas continua funcionando bem, no entanto, o diabetes tipo 2 insulinodependente parece não ser reversível até agora .

Dica: Busque ajuda especializada para orientações nutricionais e melhorar de o seu estilo de vida. Foque na prática de atividade física e em uma alimentação saudável, tendo como base alimentos in natura, que são benéficos, independentemente da perda de peso. Juntos, essas mudanças do estilo de vida podem normalizar os parâmetros metabólicos de muitas pessoas.

 

Por Sophie Deram
https://nutricaosemneura.blogosfera.uol.com.br

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