Ataque a tiros perto da sede do serviço de espionagem russo deixa um agente morto

“Crime ocorreu enquanto Vladimir Putin fazia um discurso em homenagem às forças de segurança, no Kremlin; atirador foi ‘neutralizado’, segundo autoridades”

MOSCOU — Um tiroteioperto da sede do Serviço Federal de Segurança (FSB), principal serviço russo de espionagem e contraterrorismo, deixou um funcionário da agência morto e cinco feridos. De acordo com os poucos relatos das autoridades, um homem começou a fazer disparos perto do prédio, localizado em uma das mais movimentadas e vigiadas áreas do centro de Moscou. O Ministério da Saúde afirma que entre os feridos estão dois funcionários da FSB.

Em imagens publicadas em redes sociais, é possível ouvir o som dos disparos e ver equipes especiais portando armas pesadas, em posições de ataque. O acesso à área foi restrito, incluindo à estação de metrô que fica quase em frente ao prédio, a Lubyanka, na Linha Vermelha, a mais antiga do sistema.

Pouco depois dos primeiros disparos, o serviço de segurança disse que o atirador foi “neutralizado” — um dos vídeos publicados em redes sociais mostra o que seria o atirador sendo atingido por disparos e caindo no chão.

Sua identidade não foi revelada, mas as autoridades tratam o caso como terrorismo, uma palavra que pelo menos desde 2011 não era ouvida em Moscou. Naquele ano, 37 pessoas morreram e 137 ficaram feridas em um atentado contra um dos principais aeroportos da cidade, Domodedovo.

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Nos anos seguintes, ataques ocorreram em grandes cidades russas, em especial em 2017, quando 15 pessoas morreram em uma explosão dentro do metrô de São Petersburgo, segunda maior metrópole do país. Naquele ano, foram 30 incidentes considerados “atos de terrorismo” na Rússia, deixando 36 mortos e mais de 100 feridos.

O número parece alto para padrões ocidentais, mas apresenta uma redução sensível se comparado a períodos mais críticos: de acordo com dados oficiais, em 2009 foram 152 atentados, com 141 mortos. No ano seguinte, 2010, foram 251 atentados e 231 mortos. O ano com mais vítimas no século foi 2004, quando ocorreu o cerco a uma escola em Beslan, na Ossétia do Norte, onde 334 pessoas morreram, e a explosão de dois aviões de passageiros, com 90 mortos.

Em quase todos os casos, as ações foram creditadas a grupos extremistas baseados na região do Cáucaso.

Com a realização da Copa do Mundo, em 2018, as autoridades aumentaram a vigilância em pontos centrais das grandes cidades, e intensificaram ações contra pessoas e entidades vistas como potencialmente perigosas. Durante o Mundial não houve qualquer incidente relacionado a terrorismo.

Discurso de Putin

O atentado, pelo menos na classificação oficial, ocorreu quase que ao mesmo tempo em que o presidente Vladimir Putin discursava no Kremlin, complexo que fica a menos de um quilômetro do local do tiroteio. Era uma homenagem na véspera do dia que justamente celebra os serviços de segurança, incluindo a FSB.

Putin não mencionou o incidente em sua fala, mas defendeu uma intensificação da luta contra o terrorismo.

— O Terrorismo é traiçoeiro, é um inimigo perigoso, a luta contra ele precisa continuar de forma sistemática e decisiva, coordenada pela Comissão Nacional Contra o Terrorismo. [Esse trabalho] precisa ser conduzido com ênfase na prevenção do terrorismo, em ações preventivas e ofensivas.

De acordo com fontes da FSB, ouvidas pela agência Reuters, o ataque pode ter sido planejado para coincidir com o discurso. O presidente foi informado do incidente.

O Globo e agências internacionais

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