Até que enfim Dilma irá falar no senado

Presidenta afastada ficará, pela primeira vez, frente a frente com seus julgadores para se defender

Quando Dilma Rousseff cruzar o salão de carpetes azuis do Senado Federal na manhã desta segunda-feira estará a minutos de encarar, de uma só vez, todos os seus 81 julgadores. Será a primeira vez nesses 271 dias de investigação no Congresso que a presidenta afastada se defenderá pessoalmente das acusações de que cometeu crime de responsabilidade fiscal. E também a última chance que ela terá para convencer alguns poucos senadores indecisos de que merece ficar no cargo. Este será o ponto alto do histórico julgamento da chefe de Estado.

Rousseff entrará no Congresso acompanhada de uma comitiva de 20 pessoas, formada pelos ex-ministros e congressistas que permaneceram ao seu lado mesmo após seu afastamento, em 12 de maio, e que participaram ativamente de sua preparação. Ela se sentará na mesa da presidência duas cadeiras à esquerda do ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, que comanda o júri. E por 30 minutos -que podem marcar seu último discurso como presidenta do Brasil -trará uma fala “emocionante”, garantem  seus apoiadores, com o objetivo de reverter ao menos os seis votos que precisa para ser inocentada do crime de responsabilidade fiscal.

José Eduardo Cardozo, seu advogado e ex-ministro da Justiça, afirma que ela privilegiará em sua fala mais aspectos políticos do que jurídicos, debatidos à exaustão nos três dias iniciais de julgamento. Seus apoiadores pretendem ainda explorar o simbolismo de tê-la, mais uma vez, questionada por pessoas que, segundo dizem eles, atentam contra a democracia, como aconteceu quando Rousseff foi presa e torturada na ditadura militar (1964-1985). “Ela é vítima novamente, como na juventude, quando enfrentou a ditadura para lutar pela reconquista da democracia no país”, afirma a senadora petista Fátima Bezerra. 

No bunker que se transformou o Palácio da Alvorada nos três últimos meses, Rousseff esteve cercada de Aloizio Mercadante, Jacques Vagner, Miguel Rossetto, Ricardo Berzoini e Eleonora Menicucci, que ao lado dos senadores Kátia Abreu -uma das mais empenhadas em sua defesa no Congresso Nacional- e de Armando Monteiro formam o time de ex-ministros que a auxiliaram com os dados de suas pastas. Com a munição deles, ela apresentará a defesa de seu Governo e da decisão de remanejar o Orçamento para não prejudicar áreas importantes para a população. Os mesmos senadores que a prepararam são os que formularão as questões que ela responderá. Em uma metáfora esportiva, os parlamentares levantarão a bola para ela cortar.

No grupo que a acompanhará ao Senado estará ainda seu padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva, que anunciou apenas nesta semana que, finalmente, iria a Brasília para presenciar a defesa e participará de dois atos, um antes e outro depois da fala dela. Estará acompanhado ainda de Rui Falcão, presidente do diretório nacional do Partido dos Trabalhadores, que representará a legenda que a elegeu mas que, na semana passada, se descolou dela ao rejeitar oficialmente a ideia de um plebiscito para novas eleições presidenciais, caso Rousseff volte ao poder.

Fonte: El Pais / foto: EFE

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