Coronavírus: vale a pena ter um oxímetro em casa? Afinal, o que é isso?

Já pensou em ter em casa um aparelho portátil e não invasivo que identifica a hora certa de correr para um hospital durante a pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2)? É pensando em se proteger da COVID-19 que muitos brasileiros estão comprando o seu primeiro oxímetro, só que a realidade não é exatamente assim.

Parecido com um prendedor que é colocado em um dos dedos da mão, o oxímetro afere o nível de oxigênio no sangue do usuário e é justamente por isso que tem chamado tanta atenção. Afinal, um importante sintoma dos casos mais graves da COVID-19 é a falta de ar, que gera menos oxigenação no sangue. Atualmente, um oxímetro custa a partir de R$ 150 em lojas online.

Vendas e mais vendas

Segundo dados do Google Trends, desde o dia 20 de abril, as buscas pelo termo “oxímetro”, no buscador, estão aumentando, com alguns picos de procura, como o que aconteceu no dia 27 do mesmo mês. Essa maior procura também já é notada pelos fornecedores de equipamentos para monitoramento de saúde. Em apuração da BBC News, as fornecedoras Accumed-Glicomed e Dellamed afirmam que o crescimento nas vendas do aparelho cresceram mais de 100% em relação ao mesmo período no ano passado.

De acordo com um portal de e-commerce, que não quis se identificar, as vendas eram de cinco a seis oxímetros por dia, antes da corrida causa pela COVID-19. Só no dia 23 de abril, a loja virtual comercializou quase 80 unidades e, no dia 26, o produto não estava mais em estoque. Com o aumento da demanda, a alta do dólar e o limite da capacidade de importações da China (de onde o aparelho vem), a loja também informa que o custo do produto final subiu.

“Tenho visto a corrida pelo aparelho nas últimas semanas”, afirma o médico e pneumologista José Eduardo Afonso, do Hospital Israelita Albert Einstein. “Uma grande quantidade de pacientes que não têm problemas crônicos agora estão com oxímetro em casa medindo a saturação de oxigênio mesmo sem saber se estão com COVID-19”, explica Afonso.

Como funciona?

Em seu visor, um oxímetro mostra a porcentagem de oxigênio no sangue do paciente que, em tese, pode ir de 0% a 100%. Porém, o nível normal de saturação de oxigenação humana, de acordo com médicos, está entre 95% e 100%. Além disso, abaixo de 93% já pode ser considerado um sinal de alerta. Só que vale destacar que pacientes, com determinadas doenças crônicas, normalmente podem ter um nível de saturação abaixo do normal.

Para chegar a porcentagem, esse medidor trabalha com uma luz infravermelha no dedo do paciente, que penetra os tecidos e analisa as hemoglobinas, ou seja, as proteínas responsáveis por transportar o oxigênio no sangue. No entanto, usar esmalte escuro pode atrapalhar essa leitura, assim como estar com a mão muito gelada ou fazer a medição logo ao acordar. Também é preciso se atentar a uma possível variabilidade e falta de precisão dos dados de acordo com a qualidade dos aparelhos.

Oxímetro x COVID-19

O uso de oxímetros como método para o controle da COVID-19 começou porque alguns pacientes não apresentavam problemas respiratórios, apesar de terem pneumonia causada pelo coronavírus e oxigenação no sangue abaixo do normal. Só que sem a falta de ar, chegavam tarde demais ao hospital, segundo o médico americano Richard Levitan, em um artigo publicado no jornal The New York Times.

Ainda de acordo com Levitan, o uso de oxímetros por pacientes com o coronavírus pode resolver esse problema, evitando que pessoas só cheguem ao hospital em estado crítico, quando precisam ser entubados em caráter emergencial. Por isso, defende que pessoas com sintomas compatíveis ou diagnosticadas com a COVID-19 usem o aparelho por duas semanas, período no qual a doença deveria se desenvolver, sempre com um acompanhamento médico.

Entretanto, essa orientação é controversa na medicina. Por exemplo, a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia divulgou uma nota, na última terça-feira (28), em que não recomendava “o uso irrestrito de oxímetro domiciliar para monitorização da saturação de oxigênio durante a pandemia de COVID-19”.

“Como não há estudos científicos sobre a referida monitorização em pacientes com suspeita ou diagnóstico confirmado de COVID-19, sugerimos que a decisão sobre usar ou não usar monitoração por oximetria domiciliar fique a cargo do médico que assiste o doente. Não existe indicação do uso de oxímetro domiciliar em indivíduos sem doenças pulmonares crônicas, ou como método de diagnóstico precoce da COVID-19”, completa o comunicado.

Um dos sintomas

O oxímetro não diagnostica ninguém para a COVID-19. Além disso, a queda da oxigenação — quando acontece —, abrange a minoria dos casos, e somente a partir do sexto ou sétimo dia. Nesse mesmo período, outros sintomas já devem ser notados, como a febre e a dor no corpo. Ou seja, a quantidade de oxigênio no sangue não pode ser o único critério adotado para a avaliação dos casos.

Mesmo no hospital, a oximetria é apenas um dos parâmetros para decidir ou não pela internação de um paciente. Independente disso, os especialistas em saúde concordam que o oxímetro pode, sim, ser útil em algumas situações, como no acompanhamento de pessoas com outras doenças crônicas, como diabetes, problemas cardíacos ou respiratórios.

“Talvez valesse mais a pena a gente pensar em monitorizar os pacientes nos grupos de risco, que têm maior chance de evoluir para doenças mais graves, como quem é idoso ou quem já tem doença pulmonar”, defende o pneumologista André Nathan, do Hospital Sírio Libanês.

Quando um paciente nessas condições, com COVID-19, procura ajuda em um hospital e o médico avalia que não é o caso de internação, ter um oxímetro em casa pode ser muito útil, já que, a distância, a pessoa contaminada terá um bom parâmetro para saber quando buscar novo atendimento hospitalar, sempre com acompanhamento médico.

 

Fonte: BBC e G1
https://canaltech.com.br

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