Pesquisadores estudam datação de cratera com 40 km de diâmetro, a maior dos EUA

Uma equipe de pesquisadores publicou um novo estudo sobre a cratera da baía de Chesapeake, que é cercada pelos estados norte-americanos de Maryland e Virgínia. A pesquisa tem como objetivo medições mais precisas sobre a época em que ocorreram os eventos que formaram a cratera gigantesca.

Foi a primeira vez que uma equipe usou a técnica de datação com urânio, tório e hélio em amostras dessa região. Para isso, o cientista e principal autor do estudo, Marc Biren, juntamente com os co-autores Jo-Anne Wartho, Matthijs Van Soest e Kip Hodges, obtiveram as amostras da perfuração do Ocean Drilling Project (um esforço multinacional para explorar e estudar a composição e estrutura das bacias oceânicas da Terra).

A maior cratera de impacto dos EUA

Região da cratera de Chesapeake, agora coberta por novos sedimentos. Imagem: Christoph Kersten / GEOMAR

Mas o que essa cratera tem de especial? Em primeiro lugar, sua idade. Ela foi formada por um asteroide que caiu por lá há 35 milhões de anos, e atingiu o oceano da costa leste da América do Norte. Seu tamanho também impressiona: são mais de 40 km de diâmetro. As consequências desse evento foram uma série de incêndios, terremotos, uma chuva de vidro fundido e um tsunami devastador.

Embora a cratera que surgiu desse cataclisma esteja agora completamente enterrada, ela foi encontrada no início dos anos 1990 através de uma perfuração científica. Agora, é conhecida como a maior cratera de impacto nos EUA e a 15ª maior na Terra.

Percebeu que falamos em uma chuva de vidro fundido, e isso é meio estranho, certo? Mas essas pequenas rochas de poucos centímetros têm um nome: tectitos. Trata-se de um vidro natural formado por detritos durante impactos de meteorito que caem na Terra. Acontece que os tectitos foram arremessados junto com cristais de zircônio para fora da área de impacto, e isso formou uma área que os cientistas chamam de “o campo norte-americano dos tectitos espalhados”. Ele se estende por aproximadamente 6 milhões de quilômetros quadrados, cerca de 10 vezes o tamanho do Texas. Boa parte foi arremessada na água do mar, onde se esfriou imediatamente e afundou no oceano.

E por que o estudo é importante?

De acordo com Biren, “determinar idades acuradas e precisas de eventos de impacto é vital para nossa compreensão da história da Terra”, e cita como exemplo que “nos últimos anos, a comunidade científica percebeu a importância dos eventos de impacto na história geológica e biológica da Terra, incluindo o evento de extinção em massa de dinossauros há 65 milhões de anos, que está ligado à grande cratera de impacto de Chicxulub”.

A equipe estudou aqueles cristais de zircônio em particular, pois eles preservam evidências do metamorfismo de impacto (é quando formação das rochas metamórficas são causadas por pressões de choque e altas temperaturas em consequência de impacto de grandes meteoritos). Os cristais usados na técnica de datação eram minúsculos, algo como a espessura de um cabelo humano.

O silicato de zircônio usado no estudo foi encontrado nos sedimentos oceânicos de uma perfuração, localizada a quase 400 quilômetros ao nordeste do local de impacto, de acordo com Wartho. Biren trabalhou com seus colegas para preparar amostras para análise com o método de datação urânio-tório-hélio. Em seguida, ele identificou e processou fragmentos de zircônio para imagens e análises químicas com uma microssonda eletrônica.

Para Biren, essa pesquisa oferece mais uma ferramenta para os estudiosos que realizam datação as estruturas causadas por impactos terrestres. “Nossos resultados demonstram a viabilidade do método de datação urânio-tório-hélio para uso em casos semelhantes, onde materiais arremessados foram expelidos da cratera e depois resfriados rapidamente [na água do oceano], especialmente nos casos em que o tamanho da amostra é pequeno”.

Fonte: Phys.org

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