Morre o cientista Gilberto Chierece que desenvolveu a chamada pílula do câncer

Ele tinha 76 anos e estava internado em São José do Rio Preto vítima de um infarto

Morreu nesta sexta, dia 19, o professor Gilberto Orivaldo Chierece, pesquisador que desenvolveu a fosfoetanolamina sintética, a chamada ‘pílula do câncer’, nos laboratórios do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos. Ele tinha 76 anos e estava internado em São José do Rio Preto vítima de um infarto.

A fosfoetanolamina sintética começou a ser estudada pelo pesquisador Gilberto Chierice, quando estava na ativa. Apesar de não ter sido testada cientificamente em seres humanos, as cápsulas foram entregues de graça a pacientes com câncer por mais de 20 anos. Em junho de 2015, a USP de São Carlos interrompeu a distribuição e os pacientes começaram a recorrer da decisão na Justiça. Em outubro de 2016, a briga foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a produção e distribuição do produto.

 

Desde então, o assunto virou tema nacional. Desenvolvida para o tratamento de tumor maligno, a substância é apontada como possível cura para diferentes tipos de câncer, mas não passou por esses testes em humanos e não tem eficácia comprovada, por isso não é considerada um remédio. Ela também não tem registro na Anvisa e seus efeitos nos pacientes ainda são desconhecido.

O Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) suspendeu a inclusão de novos pacientes nos testes clínicos com a fosfoetanolamina devido à ausência de “benefício clínico significativo” nas pesquisas realizadas até então. Ao todo, 72 pacientes, de 10 diferentes grupos de tumores, tinham sido tratados no estudo da fosfoetanolamina até então. Destes, 59 tiveram suas reavaliações, e 58 não apresentaram resposta considerada objetiva pelos médicos. Apenas um paciente, que tem melanoma, apresentou uma resposta ao tratamento.

No mês passado, a Universidade Federal do Ceará (UFC) começou os primeiros testes da chamada pílula do câncer em seres humanos. Ao todos, 64 voluntários vão participar do experimento, realizado pela primeira vez no Brasil. O objetivo da pesquisa com a fosfoetanolamina é observar qual a dosagem máxima do tratamento, verificar possíveis efeitos colaterais, além de realizar o estudo farmacocinético.

O professor teve uma vida dedicada a pesquisa. Era bacharel e licenciado em Química pela Unesp de Araraquara. Depois, fez mestrado e doutorado na USP. Foi professor titular da USP com larga experiência na área de Química, com ênfase em Equilíbrio Químico, atuando principalmente nos seguintes temas: resina de mamona, óleo essencial, óleo essencial, thermal decomposition e resinas poliuretanas.

Aliás, uma descoberta feita na década de 90 por Gilberto Chierice está transformando a vida de pessoas vítimas de traumas causados por acidentes. Ele desenvolveu um polímero, material semelhante ao plástico, a partir do óleo de mamona que, por causa de sua porosidade, adere à estrutura óssea com o passar do tempo. O material biocompatível, isto é, que não provoca rejeições no corpo, agora, é também usado por cirurgiões dentistas no tratamento de traumas nos ossos da região da face.

 

fonte:acidadeon.com

 

 

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