Sindicato dos Médicos do AM usa site de extrema-direita para questionar estudo sobre cloroquina

“Simeam pediu que Conselho de Medicina apure os relatos e chama estudo de obscuro; pesquisador lembrou que estudo foi aprovado pela Conep e publicado em prestigiada revista científica”

 

O Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) usou matérias de um site de extrema direita para embasar um pedido de providências feito ao Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM) sobre o estudo a respeito do uso da hidroxicloroquina em pacientes com Covid-19 desenvolvido no Estado.

O anúncio foi feito nesta segunda-feira, no Instagram do órgão, e reúne links do site “Conexão Política”, um dos mais usados pela militância virtual bolsonarista, que tem manchetes como “A Militância Esquerdista por trás da pesquisa com a alta dosagem de cloroquina em Manaus” e “Aplicando alta dosagem de cloroquina, ‘estudo’ usa pacientes de covid-19 como cobaias para tentar desqualificar a hidroxicloroquina”. A representação do Simeam traz ainda o link de um vídeo do canal Política em Foco com o título “Doutora Nise Yamaguchi chora ao falar da canalhice que estão fazendo com o povo. Bolsonaro tem razão”.

A publicação trata o estudo como obscuro e se refere a ele como “estudo técnico-científico”. Não há qualquer menção de que a pesquisa feita no Amazonas foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) antes de ser iniciada. O Simeam fez o post no dia em que a Organização Mundial de Saúde (OMS) suspendeu os testes com a cloroquina/hidroxicloroquina por entender que ele não tem eficácia comprovada e aumenta o risco de morte em pacientes de Covid-19, conclusão semelhante a obtida no estudo em Manaus.

Responsável pela pesquisa, o infectologista Marcus Lacerda sustentou, nos comentários do post, que “o estudo não é NADA obscuro porque além de ter tido aprovação ética antes de seu início, também foi publicado em uma importante revista científica (JAMA), após o parecer de 4 revisores”.  A íntegra do estudo pode ser acessada clicando aqui. “Como é um sindicato representado por médicos, com certeza vocês sabem como ter esse acesso. E sim, peçam providências sobre o ‘estudo técnico-científico’, só não deixem de publicar o que encontrarem. A população certamente precisa desse retorno de vocês”, afirmou o pesquisador.

Apresentada na bio do Instagram como “Entidade de classe que luta pela valorização da saúde e defesa da atividade médica”, o Simeam não tem, nesta rede social, nenhuma publicação de apoio ao infectologista Marcus Lacerda quando ele foi ameaçado de morte por conta dos resultados da pesquisa.

https://www.acritica.com

Continue lendo
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

WP2Social Auto Publish Powered By : XYZScripts.com