Uma das siamesas separadas em Brasília recebe alta

Teve alta da UTI na terça, 21, a menina Mel, uma das gêmeas siamesas separadas por cirurgia inédita feita no Distrito Federal

Antes de ser transferida para a enfermaria, a bebê, de 11 meses, visitou a irmã pela primeira vez desde a cirurgia. Lis continua sob cuidados intensivos, mas segue o cronograma esperado pelos médicos.

Segundo a mãe das meninas, Camilla Vieira, o momento foi emocionante. “Elas ficaram se olhando como se estivessem se reconhecendo. Colocamos elas sentadas mais perto, pegaram na mão uma da outra e tentaram pegar a roupa da outra”, disse.

“Acho que foi um momento de paz entre elas. Foi a coisa mais linda”.

A cirurgia

A cirurgia extrema complexidade realizada nas gêmeas, que nasceram ligadas pela cabeça – foi dividida em 36 etapas, entre as 6h30 do dia 27 e as 2h30 de 28 de abril.

O sucesso foi comemorado pelos pais das crianças e pela equipe do Hospital da Criança de Brasília.

As gêmeas, que completam 1 ano em 1º de junho, estão em tratamento no centro especializado desde que tinham apenas 2 meses.

“A gente ainda tem uma longa batalha. São dois bebezinhos de novo. O apoio que elas tinham para ficar em pé, para engatinhar, hoje precisam fazer sozinhas. Então, é uma longa batalha de fisioterapia, mas elas são duas guerreiras”, garante a mãe.

História

O procedimento de separação começou a ser planejado quando as pequenas brasilienses ainda tinham 2 meses e o médico Benício Oton de Lima confirmou, por meio de exames, que a operação seria viável.

Elas compartilhavam apenas uma pequena parte do cérebro, que poderia ser retirada sem danos.

“O dia em que ele disse que poderíamos separá-las foi de muita felicidade para mim”, lembrou a mãe das meninas, Camilla Vieira Neves, 25 anos, logo após a operação.

A equipe médica considera que a ligação das meninas, no lóbulo frontal direito dos crânios, facilitou o trabalho de separação, visto que permitiu às crianças se desenvolverem normalmente.

“Não são pacientes acamadas. São pacientes saudáveis, que tiveram o crescimento e o desenvolvimento motor perfeitamente normal”, destacou a anestesiologista Liliana Teixeira.

“Virão outras batalhas, mas esta a gente venceu”, disse a mãe das bebês, no dia seguinte à separação.

Milagre

Os pais descreveram a cirurgia como um milagre.

Segundo Camilla, durante a gravidez, chegaram a aconselhá-la a fazer um aborto, mas ela afirmou que jamais cogitou isso e apenas pediu a Deus que lhe enviasse anjos na caminhada.

“Os médicos foram esses anjos”, afirmou.

Os pais

A família mora em Ceilândia, a 35 km de Brasília.

Rodrigo Martins Aragão, 30, é supervisor comercial.

A mãe trabalha como prestadora de serviços no Ministério da Saúde.

Os pais contaram que a gravidez não foi planejada, mas significou o presente mais maravilhoso que já receberam.

“A chegada delas tem um propósito claro em nossas vidas”, disse Camilla.

A equipe

A cirurgia foi chefiada pelo neurocirurgião Benicio Oton de Lima e contou com especialistas norte-americanos

A equipe que trabalhou durante as 20 horas é composta de 50 profissionais

Em fevereiro, as duas passaram por uma primeira cirurgia, para que fossem instalados extensores de silicone e os corpos delas produzissem pele.

Os cirurgiões treinaram em moldes 3D e bonecas.

Tudo foi ensaiado milimetricamente para diminuir os riscos de um procedimento tão complicado.

“Imensa satisfação de ter participado desse procedimento tão especial. É um trabalho em equipe”, afirmou o cirurgião plástico Ricardo de Lauro Machado Homem.

Veja a alegria da mãe, brincando com as filhas:

 

 

fonte: Metrópoles / sócoisaboa

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Autor: Mana

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